segunda-feira, 1 de julho de 2013

Um pouco de mim e da minha infância

Casas de antigamente

Por vezes ao ler alguns sites que vou encontrando pela Internet, verifico que alguns são muito parcos em palavras mas têm inúmeras imagens. Outros pelo contrário, uma pequena descrição e uma imagem, num post.
Cheguei à conclusão, depois de muito ter "navegado" pela net, que muito poucos, aliás, são raríssimos os blogues como o meu, com muita escrita e muitas imagens.
Sabem, é que escrevo mesmo muito. O problema é que quanto mais escrevo mais necessidade tenho de o fazer. É como que uma fonte inesgotável.
De qualquer modo, não sei se pelo que escrevo, se pelo que mostro, tenho vindo a ter mais pessoas que me lêem. Muitas mais.

Sou muito inconstante nos meus gostos, mudo, não deixo de gostar, mas gosto de variar,  preciso ter harmonia, cor, luz e andar com os tarecos às voltas. Desde que me casei já mudei a minha casa aí umas vinte e tal vezes. De vez em quando compro uma coisa nova ou reformo outra, depois agarro nos móveis escolho outra composição, faço almofadas a condizer com os sofás e cortinados, e tenho vários conjuntos. Em branco, em tom de pérola, em carmim e para o meu quarto os turquesas, vermelho, brancos e bege, de um tecido oriental, bem grossos, para o inverno.
Possivelmente é isso que vos atraí, eu ser assim.

Depois, não descrevo ou não escrevo, sobre coisas que não sei. Ou sei e faço, ou não faço. É isso, não sou nada "descomplicada"...sou simples, mas muito complicada. Podem crer que é verdade. Nunca vou a direito na vida. Odeio quando me apontam o caminho. Gosto de luta, experimentar e sofrer até, mas depois conseguir chegar lá. Percebem o que digo? Ah, e dou-me bem com toda a gente. Odeio conflitos.

Bom, até parece que estou avançando num livro, aqui, mas não, apenas uma introdução, para vos explicar as imagens que escolhi para vos mostrar hoje, é que são muito simples mesmo,  mas vocês nem sonham o quanto elas me recordam a casa de minha avó paterna.
Encontrei-as num blog e logo as guardei, para aqui vos mostrar. Vida simples, cheia de claridade, luz, vida de campo, que também pode ser de praia, com móveis antigos e coisas usadas, pequenos nadas que me recordam o meu passado, como uma rede com cebolas pendurada num bengaleiro, ou uma mesa antiga de tampo de madeira já a "descascar" e que era pintada todos os anos e mais tarde foi forrada a "oleado"...Algum de vocês se recorda o que era o oleado? Uma espécie de uma tela grossa, com desenhos, que se pregava às mesas de cozinha, com tachas de metal, na parte de baixo e a mesa podia ser lavada, molhada e estava sempre bonita.
São essas coisas, como as galochas à porta, as flores nas jarras, tantas tantas, que por vezes era preciso usar outros utensílios porque as jarras estavam todas a uso. Cravos, jarros (copos de leite), rosas, noivinhas, tulipas, narcisos, malmequeres, sei lá, tantas mais.

Depois desta longa introdução, só para me conhecerem melhor, afinal, alguns de vocês visitam-me amiúde, e eu até estou a gostar.
Devemos ser abertos para com as nossas visitas, tratá-las bem  e dar-lhes o que procuram. É o que tento.
Espero que continuem a vir por aqui.



Aqueles cestos e redes de ferro que se usavam antigamente e agora muito velhas vendem-se nos antiquários por uma fortuna. A minha avó teve o meu pai com 50 anos, meu pai já morreu, quase a fazer 81. 
Vejam como as coisas são, parece que foi ontem e lembro de minha avó bem velhota, alta e magrinha sempre com lindos aventais bordados e camisas de nervurinhas, com botõezinhos de madrepérola outras com vidrinhos, sabem aqueles botões facetados...recordações que nos mostram o quando já vivemos também e o que nos espera!!



Muito branco, porque o branco era considerado como puro, identificado com a limpeza.



As velas porque naquele tempo havia muitas falhas de electricidade, e em muitas casas, nem havia.

~

As banheiras de patas, em casa da avó não havia banheira igual a esta. Era uma de zinco, enorme, com base em madeira!!




Todos os tecidos eram aproveitados, para fazer tudo. As gavetas eram cheias de saquinhos brancos ou de risquinhas, resultado das camisas dos homens da casa, quando já estavam usadas e iam para reciclagem. Saquinhos para guardar lencinhos de assoar (não havia lenços de papel), as meias de "vidro", os soquetes, as roupas especiais para ir ao médico...recordam? era assim. Eu era pequenina, mas infelizmente tenho memória de elefante!!!

Misturavam-se pratos com as toalhas de mesa, nos armários e noutros, eram as roupas de cama e num baú, as toalhas de banho e das mãos, geralmente de linho que era a avó que fiava. Linho artesanal.




Também havia móveis desta cor e cinza clarinho, pintados.


As cebolas e lá em casa da avó era uma maleta destas, com as coisas para engraxar os sapatos e as botas.


Havia um quarto, que era o chamado "quarto de trás", onde se cosia, passava a ferro, com aqueles ferros que pesavam quilos. As tábuas de engomar eram de madeira e forradas a tecidos branquinhos, quando amareleciam, trocavam-se e o tecido ia para as limpezas...É dessa economia doméstica que estamos agora a precisar e dos valores daquele tempo. 
Eram maus em termos políticos, porque se vivia uma ditadura, mas não fora isso, eram bons tempos. Nesse quarto era onde dormia alguém que aparecesse "a mais" que não tivesse quarto, e era também lá que se tratavam dos cabelos, se cortavam as pontas, se cosia a roupa, se bordava, se lia e cantava...ao som do rádio sempre ligado. Talvez não acreditem, ainda hoje, o "som" como se diz no Brasil ou a pequena aparelhagem que tenho no meu escritório, está todo o dia sintonizada no rádio,  todo o dia "toca" baixinho...


Em casa da minha avó não havia salamandra, mas braseiras. Sabem o que são braseiras? Tinha de se ter sempre uma janela um pouco aberta para entrar oxigénio e toda a gente se sentava em volta. A braseira da cozinha era grande. Era a divisão maior da casa. Tinha um suporte de madeira em volta em forma de hexagono, onde se punham os pés para os  aquecer,  antes de ir deitar.


Sempre mantinhas e cestinhos com trabalhos. Os tricots e os bordados, as rendas daquela linha muito fininha. Faziam-se meias, pull-overs, luvas, cachecóis...


Os utensílios de jardinagem eram de zinco e barro, os de plástico apareceram mais tarde. Ah e também de esmalte. As bacias dos quartos, eram todas de esmalte.


As câmpanulas para preservar das moscas e os armários, com as portas de rede, para colocar queijos, a manteiga, os bolos, ovos, leite, etc....não havia frigorífricos ainda.
 O pão era guardado em sacos de pano branco, com outros alimentos, cada um numa arca de madeira, fechadas, num quarto escuro, sem janelas, a despensa.



Vejam que beleza de imagem, apenas as maçãs, a colcha e a manta destoam do branco, mas casam muito bem com ele.


As mesas em corredores, nas entradas, nos quartos, nas salas etc.,  sempre havia  uma  cadeira de cada lado.




Os candeeiros de alumínio, pintados. E as caixas com as velas para quando faltava a "luz".



Nada de estofos nas cadeiras da cozinha, eram de madeira mesmo. O chão era encerado todas as semanas e cheirava a limpo e a cera.


Os panos brancos, bordados em branco ou cinza clarinho.


E flores, por todo o lado, para alegrar a vida e a casa.

Desculpem este longo post e com tantas recordações minhas à mistura das imagens.

Sejam felizes, eu estou a tentar deste lado.


Todas as imagens via : Vita Ranunklel

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